A reflexão

Antes de descobrir que me tornaria pai aos 31 anos, eu tinha uma percepção distante sobre a fé. Talvez houvesse pouco dela em mim. Sempre me considerei uma pessoa muito racional e lógica, e por muito tempo vi isso como algo quase oposto à fé.

Na minha religião, devemos amar o Criador e seu Filho acima de todas as coisas. Mas como amar e ter fé em algo que eu não escuto, não enxergo e nem sequer posso sentir o cheiro? Algumas vezes, acredito ter sentido a presença do Espírito Santo. Em algumas orações, ainda sinto algo parecido. Mesmo assim, isso nunca foi tão claro para mim quanto o ar que respiro.

Então descobri que seria pai. Comecei a imaginar uma vida ao lado de alguém que ainda não existia plenamente para mim, alguém que ainda era apenas um conjunto de células em formação. Comecei a amar alguém que eu ainda não podia ver, escutar ou tocar.

É claro que havia uma evidência científica, o exame de sangue que confirmava a existência daquela vida. Mesmo com essa prova, esse acontecimento me fez pensar na relação entre paternidade e fé. Antes mesmo de nascer, você já trouxe um mundo de coisas boas. Ao mesmo tempo, me mostrou o que talvez seja, de verdade, ter fé.